FAQs

Licença

ProFaM é licenciada pela Human Tissue Authority, órgão do governo do Reino Unido responsável pela fiscalização.

Há comprovações sobre a eficácia deste método?

A criopreservação, armazenamento e transplante de tecido ovariano tem sido realizada há mais de 20 anos em pacientes com alto risco de perda de fertilidade devido ao câncer, ou mesmo devido a doenças benignas. Muitas publicações científicas sobre esta técnica e sua eficácia na manutenção da fertilidade estão disponíveis. Independente do interesse da paciente – preservação da fertilidade ou atraso da menopausa –, a técnica utilizada é a mesma. Frente ao sucesso observado na manutenção da fertilidade, este é o momento de oferecer a técnica com o intuito de adiar a menopausa.

Garantia de sucesso

Nenhum procedimento médico fornece garantia de resultado, mas as chances de sucesso têm sido apresentadas na literatura médico-científica e no nosso Documento de Informações à Paciente e dependem das características individuais, como a idade da paciente, por exemplo.

Riscos

A retirada de tecido ovariano para armazenamento compromete a atual função ovariana?

Vários estudos que analisam a idade de início da menopausa em mulheres que retiraram por completo um dos ovários não revelam nenhum aumento significativo no risco de menopausa precoce.

Estudos que avaliaram o acompanhamento em longo prazo de pacientes com remoção de parte significativa de ambos os ovários não revelam risco significativo de comprometimento da função ovariana.

Aproximadamente apenas 1% da reserva ovariana é utilizada para ovulações, que ocorrem a cada ciclo menstrual. Além disso, há um mecanismo de ajuste da taxa de perda de óvulos na função ovariana no caso de remoção cirúrgica de uma parte do ovário.

A ProFaM desenvolveu a técnica com o intuito de eliminar significativamente o risco teórico de comprometimento da função ovariana. A técnica compreende:

  • Remoção de apenas 1/3 a 1/2 da camada mais externa de um dos ovários
  • Evitar o uso excessivo de diatermia (procedimento padrão de aquecer o tecido vizinho para evitar sangramento excessivo), o que pode comprometer a viabilidade do tecido remanescente
  • Remover apenas a camada mais externa do ovário, que apresenta pouca vascularização
  • Uso de alguns componentes para reduzir o risco de hemorragias

Há risco de formação de tecido cicatricial que possa afetar a tuba uterina e as chances de uma gravidez espontânea?

Não há evidências de que a cirurgia ovariana afeta a habilidade futura de engravidar. A técnica de microcirurgia é utilizada, onde todo o procedimento é feito por uma pequena abertura no abdômen, reduzindo as chances de formação de cicatriz.

Há possibilidade de que o tecido congelado não sobreviva após o transplante?

Há uma pequena possibilidade de que o tecido não sobreviva após sua reimplantação. É estimado que este risco seja de 5-10%, mas muitos destes casos são de pacientes com riscos pré-determinados, não tão jovens e com alguma patologia. Portanto o risco depende de vários fatores, que são discutidos durante a consulta. Aconselha-se realizar o transplante em 2-3 etapas, se possível, o que reduz significativamente este risco.

Há algum risco de perder os óvulos devido à ausência de suprimento sanguíneo ou ao congelamento?

O risco da ausência de suprimento sanguíneo é muito baixo, mas neste caso, ou caso haja algum dano causado pelo congelamento, apenas alguns folículos são perdidos. Entretanto, dependendo da idade da paciente, uma grande quantidade de folículos deve estar presente no tecido, o que possibilita que ainda haja folículos suficientes no caso de alguma perda.

Quais são os riscos da laparoscopia?

A laparoscopia (cirurgia minimamente invasiva) é frequentemente realizada e muito segura. O risco do procedimento depende de vários fatores que devem ser avaliados pelo médico.

Pequenas complicações ocorrem em 1 a 2 mulheres em cada 100. Estas complicações são relativamente leves e não necessitam de tratamento, como dores nos ombros, infecção na ferida cirúrgica ou pequenos machucados.

Estima-se que complicações mais sérias ocorram em 1 em cada 1000 casos.

Estas incluem: lesões na bexiga ou vasos sanguíneos. Estas lesões podem ser reparadas na própria cirurgia ou aumentando o tamanho da incisão. Há um risco remoto de formação de trombos nas pernas ou nos pulmões e medidas preventivas para evita-los são tomadas. Todos os riscos serão analisados antes da realização da laparoscopia.

 

Qual é o tempo de recuperação após a realização do procedimento?

A cirurgia dura em torno de 45 minutos. Seu tempo total no hospital será de meio dia. Você poderá ir para casa no mesmo dia. Alguns pacientes podem optar por permanecer no hospital (a um custo adicional). O tempo necessário para a recuperação total (ou para que seja autorizada a realização de quimio ou radioterapia) é estimado em 2 a 3 dias. A paciente não poderá dirigir por alguns dias após o procedimento. Se você planeja realizar outra cirurgia por outros motivos, seja por laparoscopia ou por uma incisão maior, (cesariana, por exemplo), a remoção de tecido ovariano pode ser realizada no mesmo procedimento cirúrgico, sem risco adicional.

Qual é a melhor idade para realizar o procedimento?

Quanto mais jovem, melhor!

As mulheres nascem com 2 milhões de óvulos em seus ovários. Este número reduz para 400.000 quando elas chegam à puberdade. Quando a mulher ovula (libera um óvulo fértil), normalmente uma vez ao mês, muitos óvulos desenvolvem-se em conjunto com o óvulo liberado, mas eles morrem e acabam sendo descartados antes da ovulação (aproximadamente 10.000 morrem a cada mês).

Então, quando a mulher se aproxima da menopausa, há poucos óvulos restantes nos ovários e isso é a causa da menopausa. Desta forma, todos os óvulos que foram de fato ovulados durante a idade fértil de uma mulher estiveram presentes no ovário desde antes de seu nascimento.

Já foi comprovado que com o avançar da idade, não há apenas a redução no número de óvulos, mas também em sua qualidade e por “qualidade” entende-se sua estabilidade cromossômica. Esta é a razão pela qual as chances de nascimento de bebês com síndrome de Down aumentam com a idade da mãe. Por exemplo, a chance de um óvulo possuir o cromossomo da síndrome de Down aos 32 anos é de 1 em 725 mas aos 40 anos esta probabilidade aumenta para 1 em 100. Esta é também a razão do aumento de risco de aborto, de 12% aos 34 para 42% aos 40 anos.

Há algum risco de engravidar se eu desejar apenas produção hormonal?

Para o transplante de tecido ovariano apenas para a produção hormonal há algumas estratégias para evitar gravidez, o que não envolve uso de medicamentos. Por exemplo, o tecido pode ser transplantado em outra região do corpo, o que impede a concepção possibilitando a produção hormonal.

E se eu quiser a produção hormonal a partir de meu tecido transplantado para adiar minha menopausa, mas não quiser menstruar?

A menstruação pode ser evitada, ainda sem o uso de medicamentos, o que deve ser discutido com o especialista.

Se eu quiser engravidar será necessário fertilização in vitro?

Entre os vários casos descritos ao longo dos anos, os dados indicam que 50% das pacientes engravidaram naturalmente, enquanto o restante necessitou de fertilização in vitro.

Em qual região do meu corpo meu tecido será transplantado?

Isso irá depender das circunstâncias, há várias opções. Seu caso deverá ser discutido com seu médico.

Quão cedo devo congelar meu tecido ovariano e quais são as implicações da minha idade na qualidade dos óvulos?

Quanto mais cedo o tecido for congelado melhor será a qualidade dos óvulos e por mais tempo a menopausa poderá ser adiada. A idade de 25 a 30 anos é o ideal, mas o procedimento pode ser realizado a qualquer momento, com bons resultados até 37 anos.

Com o avançar da idade, especialmente entre 32 e 35 anos, a qualidade dos óvulos é reduzida, com aumento no risco de anormalidades em cromossomos de alguns óvulos, o que aumenta o risco de anomalias cromossômicas no bebê, como mostrado na tabela a seguir:

Idade materna no
(nascimento)
% de óvulos com problemas em cromossomos Risco de anomalias
cromossomais no bebê
30 35% 1 em 385 (ou 0.26%)
35 50% 1 em 192 (ou 0.52%)
40 70% 1 em 66 (ou 1.5%)
45 >80% 1 em 21 (ou 4.8%)
49 >90% 1 em 8 (ou 12.5%)

O que é laparoscopia?

Laparoscopia é um procedimento realizado por um cirurgião especialista. Utiliza um fino equipamento semelhante a um telescópio (laparoscópio) que é inserido no abdômen através de uma pequena incisão (aproximadamente 1 cm) feita abaixo do umbigo.

Outras duas ou três incisões semelhantes podem ser necessárias para a inserção de outros equipamentos no abdômen para possibilitar a remoção do fragmento de ovário. A técnica de laparoscopia para remoção do tecido ovariano é baseada em abordagens cirúrgicas bem estabelecidas e possui alta probabilidade de sucesso.

O procedimento oferecido pela ProFaM é para todas as mulheres?

O procedimento oferecido pela ProFaM não é para todas e não pode ser realizado em mulheres que já estão em menopausa, já que seus ovários já pararam de funcionar e isto não é reversível. O procedimento também não é indicado para mulheres que já estão em menopausa iminente pela mesma razão: quando o tecido é congelado, preserva-se o que há disponível naquele momento. Se o ovário está programado para entrar em menopausa um ano após, o máximo que se poderá adiar a menopausa será um ano ou menos.

A melhor opção é quando a mulher ainda é jovem, quando o tecido ainda funcionará por uma ou duas décadas. Como regra geral, pacientes da ProFaM devem ter de preferência menos de 36 anos. Nosso aconselhamento é até 35 anos para preservação da fertilidade e até 40 anos para produção hormonal. Entretanto, qualquer decisão final deverá ser tomada após a realização de alguns exames para avaliar a reserva ovariana, após uma consulta. Estes testes incluem dosagem hormonal e ultrassonografia dos ovários.

A ProFaM foi desenvolvida para diferentes grupos de pacientes incluindo pacientes oncológicos, com patologias benignas, mas graves que necessitam de cirurgia pélvica (como por exemplo, neoplasias ovarianas, torções uterinas ou endometriose), desordens endócrinas, genéticas ou autoimunes.

Há também a opção de “aproveitar” procedimentos cirúrgicos a serem realizados, como por exemplo, uma cesariana ou outra cirurgia pélvica, quando no mesmo procedimento uma pequena parte do ovário pode ser retirada.

University of Birmingham CAREfertility